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O que está por trás do plano de levar a Petrobras de volta ao varejo

GRACILIANO ROCHA, Uol
O rumor de que a Petrobras planeja voltar a atuar diretamente no varejo de combustíveis foi o suficiente para fazer a ação da Vibra, a antiga BR Distribuidora, despencar 2,5% por volta do meio-dia de hoje, a R$ 21,05, liderando as perdas do Ibovespa.

Segundo reportagem da Bloomberg, baseada em fontes que não foram identificadas, o conselho de administração da Petrobras deve discutir nesta semana uma proposta de mudança no plano estratégico da companhia para os anos de 2026 a 2030. A ideia seria permitir que a estatal volte a atuar na ponta final da cadeia de distribuição, quatro anos após concluir a privatização da BR Distribuidora. Procurada pela coluna, a Petrobras não se manifestou.

Quando ainda era estatal, a BR Distribuidora ficou conhecida como um foco de corrupção e veio a público que fornecedores pagavam propina a políticos e servidores em troca de contratos com a empresa, quando ela ainda era subsidiária da Petrobras.

A movimentação de levar a Petrobras de volta ao varejo de combustível é fruto de pressão política. Provável candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado publicamente os preços altos nas bombas, mesmo após a Petrobras ter promovido cortes nos valores cobrados nas refinarias.

Uma das maiores irritações do presidente está no gás de cozinha que, segundo ele, sai da Petrobras a R$ 37, mas triplica de preço quando é vendido ao consumidor. Paralelamante o governo vai por na rua um programa de distribuição de vale gás de cozinha para beneficiários de programas sociais.

Alinhada publicamente, a presidente da estatal, Magda Chambriard, tem reclamado em público que os descontos no atacado não vêm sendo repassados ao consumidor final.

Para aliados do governo e sindicatos petroleiros, a volta da estatal ao varejo seria uma maneira de baixar os preços.

A Vibra tem contrato de uso da marca Petrobras até meados de 2029, mas foi notificada no ano passado de que não haveria interesse da estatal em renovar esse acordo. Segundo a Bloomberg, ainda não está claro, contudo, se o plano de devolver a Petrobras ao varejo passaria pela recompra da Vibra ou pela criação de uma nova operação.

Não é de hoje que a privatização da BR Distribuidora está atravessada na garganta da base petista na Petrobras, composta sobretudo pelo sindicalismo. Desde que Lula voltou ao Planalto, ainda na gestão de Jean-Paul Prates na Petrobras, as queixas de dirigentes da Petrobras contra a operação privatizada são recorrentes.

Privatizada em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Vibra herdou a maior rede de postos do país.

Propina na BR Distribuidora
Corrupto confesso do setor de petróleo e gás, Nestor Cerveró dirigiu a área financeira da BR Distribuidora entre 2008 e 2014, depois de ter deixado a diretoria internacional da Petrobras. Em depoimentos de sua delação premiada, relatou casos de propina na subsidiária.

Na sua delação, Cerveró aponta que teve reuniões com vários políticos para tratar da distribuição de dinheiro ilegal, como Renan Calheiros (MDB-AL), Fernando Collor (ex-PTB-AL) e Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) – à época todos os citados negaram as acusações do delator. Ele também alegou que dinheiro de propina alimentou campanhas eleitorais do PT e do MDB.

De acordo com os autos da ação penal 1025, Collor foi condenado por ter usado sua influência política na BR Distribuidora para favorecer empresas em licitações e, em troca, embolsou recursos de ao menos R$ 20 milhões, entre 2010 e 2014, por meio de pessoas de sua confiança e empresas de fachada.

A investigação revelou que os valores pagos como propina eram mascarados por contratos simulados de consultoria e que parte dos recursos foi destinada a despesas pessoais de Collor, como a reforma de imóveis e compra de veículos de luxo.
https://economia.uol.com.br/colunas/graciliano-rocha/2025/07/17/o-que-esta-por-tras-do-plano-de-levar-a-petrobras-de-volta-ao-varejo.htm

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