BRUNO ROSA, O Globo
Em 2 anos, a companhia de gás pretende investir em novos gasodutos e na expansão de corredores sustentáveis em rodovias, com postos de GNV para caminhões.
A Naturgy, distribuidora de gás natural do Estado do Rio, vai investir R$ 672,3 milhões nos próximos dois anos. Os recursos serão destinados à construção de novos gasodutos e infraestruturas para reforçar e expandir o atendimento à demanda crescente do combustível no interior.
A estratégia é levar, pela primeira vez, gás canalizado a Araruama e ampliar a rede em 17 municípios, como Barra Mansa, Barra do Piraí, Itatiaia, Piraí, Porto Real, Angra dos Reis. No Rio, a presença do gás canalizado é de 20%, maior que a média de 3% no país. A ideia é ampliar a capacidade para buscar novos clientes. Os atuais somam 1,1 milhão.
— Vamos aumentar a segurança do sistema de distribuição, permitir a conexão de novos clientes e atender novas áreas do Estado do Rio. Os projetos vão estimular a economia das cidades beneficiadas pela criação de empregos diretos e indiretos e pelo desenvolvimento de polos industriais — explica Katia Repsold, country manager da Naturgy no Brasil.
Segundo cálculos da Fundação Getulio Vargas, serão gerados cerca de 4 mil empregos com os novos investimentos.
Construção de dutos
A companhia vai expandir os corredores sustentáveis, com postos de GNV para veículos pesados. Isso envolve a construção de dutos para abastecimento de caminhões que hoje usam diesel em rodovias que ligam os estados do Sudeste.
Hoje, há 11 postos adaptados nas vias Dutra e Washington Luís. Do total planejado, cerca de R$ 300 milhões serão destinados a essa iniciativa.
Estima-se que cerca de 1,4 mil caminhões já estejam rodando a gás na região. O projeto envolve outros estados, como São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, por meio de negociações com as secretarias de Energia.
Hoje, o principal gargalo para a expansão do uso do gás em caminhões é a rede de postos de abastecimento. Para a Naturgy, além da redução de emissões, o custo do combustível é menor, o que tende a atrair interessados.
Os corredores funcionarão como uma âncora para expandir a rede de gás e atrair clientes residenciais, empresariais e industriais, em um momento em que o setor vê o crescimento do mercado livre — como no caso de CSN, Ternium e Gerdau, que já migraram.
— Mapeamos a oportunidade de adaptar postos na RJ-106, interligando os municípios da Baixada Litorânea ao Norte Fluminense e ao estado do Espírito Santo — diz.
Assim, ela cita o caso de Araruama, município com 130 mil habitantes, cuja chegada do gás canalizado foi planejada para, inicialmente, abastecer postos de GNV.
—Estima-se a possibilidade de atender mais de 48 mil domicílios, cerca de 150 estabelecimentos comerciais e 21 indústrias de pequeno porte.
Os investimentos incluem gasodutos de reforço para expandir a rede a novos bairros e elevar o total de postos de GNV. Serão 262 novos quilômetros de rede, que hoje tem 6,3 mil quilômetros. Outro exemplo é a ampliação da rede de gás de Petrópolis para Itaipava, que recebe gás por meio de carretas, com rede de descompressão e gasoduto local.
Os investimentos não estão ligados à renovação da concessão, que termina em julho de 2027. A Naturgy já enviou manifestação com a proposta de oferecer o serviço por 30 anos.
https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/03/25/com-plano-de-r-676-milhoes-naturgy-quer-ampliar-cobertura-de-gas-encanado-no-estado-do-rio.ghtml
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