MÍRIAM LEITÃO, O Globo
O presidente Lula culpou o setor de distribuição de combustíveis e sugeriu que a Petrobras venda gasolina e diesel diretamente a grandes consumidores como forma de reduzir os custos. A proposta, até o momento, não parece viável. A Petrobras não tem empresa de distribuição.
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A BR Distribuidora, hoje Vibra, foi privatizada. O que especialistas do setor lembram é que além da distribuição de combustível, há o transporte do etanol, que é misturado à gasolina em 27%. A proposta se fosse implantada seria a Petrobras substituir toda essa logística.
O fato é que a maior parte do preço vai para os governos estaduais e federal, mas retirar impostos também não é a solução. O que eu tenho ouvido de especialistas é que é uma ideia sem sentido.
Mesmo que houvesse uma forma de pular essa etapa da cadeia produtiva e comercializar diretamente, apenas grandes consumidores seriam beneficiados, enquanto os pequenos e médios seguiriam dependendo dos distribuidores. Além disso, quando a Petrobras ainda possuía sua distribuidora, ela seguia os preços praticados pelos concorrentes do setor. Ou seja, mesmo que tivesse uma estrutura de distribuição, não haveria garantia de redução significativa nos preços.
Quando a inflação incomoda, qualquer governante fica nervoso e começa a querer anunciar decisões que derrubem os preços, às vezes artificiais.
No governo Bolsonaro, por exemplo, a estratégia adotada foi a retirada dos impostos federais e estaduais cobrados nos combustíveis, o que reduziu artificialmente os preços, mas gerou um grande impacto fiscal e produziu uma herança ruim. O próprio governo Lula, que precisou compensar as perdas dos estados. E o que Bolsonaro queria com a redução artificial dos preços? Melhorar a popularidade e ganhar a eleição. E não deu certo.
A melhor estratégia para qualquer governo é manter a calma e evitar medidas artificiais. O controle da inflação deve ser feito por meio dos mecanismos de sempre, como a política fiscal e a política monetária, e não por iniciativas de difícil execução, como a venda direta de combustíveis.
Lula também tem tentado encontrar culpados para a alta dos preços. Em um de seus discursos, ele falou isso com todas as letras: “O povo tem que saber quem é que aumenta o preço para ir cobrar do filho da mãe”.
Esse tipo de estratégia de comunicação nunca surtiu efeito, porque quando a inflação incomoda, sempre cai a popularidade dos governantes.
É bom sempre lembrar que a situação não é tão grave quanto em momentos passados, como nos governos Bolsonaro e Dilma, quando a inflação chegou a dois dígitos, Mas o atual patamar segue sendo motivo de preocupação para o governo e para a população e está acima do teto da meta.
A boa noticia, como você pode conferir na coluna de hoje publicada em O GLOBO, há sinais de arrefecimento na inflação de alimentos.
https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2025/02/nao-parece-viavel-a-ideia-de-lula-de-a-petrobras-vender-combustiveis-diretamente-ao-consumidor.ghtml
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